sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Pesca predatória destrói criatórios naturais
A pesca predatória tem se constituído em um dos maiores problemas enfrentados pelas comunidades pesqueiras do Estado. No litoral da Taíba, a pesca com rede de arrasto está destruindo o criatório natural de peixes e crustáceos. Os pescadores denunciam esta modalidade de pesca criminosa que está destruindo os corais, arrancando as pedras e matando peixes pequenos e tartarugas marinhas, além de pôr em risco a sobrevivência da própria comunidade. Segundo os pescadores, o litoral da Taíba não tem mais peixe. ‘‘Há cinco anos, a gente colocava a rede no mar e quando ia apanhar, depois de quatro horas, tirava até 100 quilos de pescado. Hoje, a gente não tira cinco quilos’’, diz José Marques dos Santos.
Comunidade quer fazer cumprir portaria do Ibama para denunciar a pesca de arrasto que vem ocorrendo, há mais de cinco anos, no litoral Oeste, a comunidade da Taíba se reuniu na manhã de ontem para um ‘‘Grito de Alerta’’. ‘‘Nós não podemos permanecer calados diante deste crime ambiental’’, disse a advogada Tereza Quezado, voluntária do movimento de luta dos pescadores daquela praia. Durante a reunião, a comunidade elaborou um abaixo-assinado que será encaminhado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) solicitando providências no sentido de impedir a pesca predatória naquela área e pedindo, ainda a regulamentação e disciplina na captura do camarão.
De acordo com a advogada, os pescadores da Taíba querem que o Ibama conceda à comunidade a mesma portaria dada a outras localidades pesqueiras que proíbe a pesca de arrastão nas três milhas litorâneas, a contar da praia, adentrando ao mar. Esta portaria já foi concedida às comunidades de Batoque, Prainha do Canto Verde e Mundaú. ‘‘Queremos, também, que seja regulamentada e disciplinada a captura de camarão, antes que o crustáceo entre para a lista de espécimes em extinção’’, ressalta Tereza Quezado.
Para os pescadores, o trabalho de fiscalização não é tão importante quanto a portaria. A fiscalização, segundo eles, não terá força para impedir a pesca de arrastão, até porque esta pescaria acontece quase sempre à noite e, por outro lado, quando estes barcos são flagrados pela fiscalização, pagam as multas e, em pouco tempo voltam a agir. ‘‘Com a portaria, teremos como acionar a Polícia Federal e a Capitania dos Portos’’, diz José Marques .
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário